sábado, 31 de outubro de 2009

trilho do Amor.


Imagina que eu nunca te toquei
e o campo até ao horizonte possível
explode em violeta e azul, dedos florescem
para as delícias do tacto num vibrátil
orvalho. Imagina
que eu parti e o ar impregnado de mim
queima; ou o horizonte se tornou num duvidoso pousio,
retráctil, sem gosto nem cheiro, apesar de os lagos
a si atraírem o voo predador de fulminantes aves, e o receio
seca a boca. Imagina esse género de pânico:
flores envolvidas ao contrário, tu: solitária, imagina
o Mundo cego. Imagina que me resguardarei
dentro das minhas próprias veias
no esquecimento de tal ausência a brotar
em tons rubros, borbotões sobre ti. O campo
o campo, o campo, o campo...
Agora
imagina sábado) toquei-te
por assim dizer demasiado...excessivamente,
ao nível onde o ventre cristaliza o vidro
do coração, ou abaixo, no preciso
sitio do nome, teu
medieval nome. E despes o género feminino desse elmo,
num gesto descobres o perfume sob
a cota leonina de uma dança, um feitiço, isso, agora
que é um magnífico sábado permanente, imagina
Cintilações de uma vertigem trágica rasgam
o peito à aventura, a horizontes incontornáveis.
Pela margem da cultura a mim chegaste
e agora, bem, agora
é a galhofa de jogar às escondidas, a refeição
doméstica, o vestir, o calçar, fantasia de tantos pequenos nadas,
entradas subterrâneas, saídas de leão
directas à turbulência do astral. Imagina,
amizade me pediste-dou-te a Noite,
o alvor, sua leve frescura, intactas tardes. Agosto
existe
só para consolidar-nos
contra o cerco
de inumeráveis aguas sujas no subúrbio da inteligência.
E tarde é para ter juízo e cedo...ah cedo o medo
nos surpreenderá, de pueril. Eles ignoram
a autêntica demência de como
sábado nos entrou nos ossos e não sai: toco-te, escalda-
ou apenas o motor da ternura
apela a um ritmo menos trepidante? Um amor
que se vai adivinhando e, adivinhando
também, indica o trilho do Amor.


Paulo da Costa Domingos, in Espacio/Espaço escrito (revista de literatura en dos lenguas)

1 comentário:

Kraxpelax disse...

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SONNET XXXIX FOR KATIE

I went downtown, saw Katie in the nude
on Common Avenue, detracted soltitude
as it were, like a dream-state rosely hued,
like no one else could see her; DAMN! I phewed;

was reciprokelly then, thank heaven, viewed,
bestowed unique hard-on! but NOT eschewed,
contrair-ee-lee, she took a somewhat rude
'n readidy attude of Sex Prelude; it BREWED!

And for a start, i hiccuped "Hi!", imbued
with Moooood! She toodledooed: "How queued
your awe-full specie-ally-tee, Sir Lewd,
to prove (alas!), to have me finely screwed,

and hopef'lly afterwards beloved, wooed,
alive, huh? Don't you even DO it, Duu-uuude!"

My Poetry Blog

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Adiós, mis vacas! Que pasa en esta temporada de tristeza?
La soledad se cultiva en las ciudades;
viva la muerte.
Uno no debe imaginar que el hombre es bueno.
El paisaje se despierta en un fiel espejo, pregunte.

La noche ha porches de la siesta en ruinas con pistacho.
Débiles enemigos se disipa amigos sin
valor. La calle es corta.
Hay falta de coherencia, la esperanza y la fe.
Todas las puertas evitadas saludan: No pasarán.

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- Peter Ingestad, Sweden