segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

A mulher que passa


Meu Deus, eu quero a mulher que passa
Seu dorso frio é um campo de lírios
Tem sete cores nos seus cabelos
Sete esperanças na boca fresca!
Oh! como és linda, mulher que passas
Que me sacias e suplicias
Dentro das noites, dentro dos dias!


Teus sentimentos são poesia
Teus sofrimentos, melancolia.
Teus pelos leves são relva boa
Fresca e macia.
Teus belos braços são cisnes mansos
Longe das vozes da ventania.

Meu Deus, eu quero a mulher que passa!

Como te adoro, mulher que passas
Que vens e passas, que me sacias
Dentro das noites, dentro dos dias!
Por que me faltas, se te procuro?
Por que me odeias quando te juro
Que te perdia se me encontravas
E me encontrava se te perdias?

Por que não voltas, mulher que passas?
Por que não enches a minha vida?
Por que não voltas, mulher querida
Sempre perdida, nunca encontrada?
Por que não voltas à minha vida
Para o que sofro não ser desgraça?

Meu Deus, eu quero a mulher que passa!
Eu quero-a agora, sem mais demora
A minha amada mulher que passa!

Que fica e passa, que pacifica
Que é tanto pura como devassa
Que bóia leve como a cortiça
E tem raízes como a fumaça.

5 comentários:

Eurico disse...

Belíssimas, a mulher que passa e esta postagem.

Abç fra/terno
e felizes dias em 2012.

Petra Maré disse...

Obrigada, Eurico.
Plantei aqui a graça da mulher que passa, atenta a mulher que sou.

Próspero 2012, mais possível para si, atenta a alcançada 6ª ECONOMIA.

Abraço!

Anónimo disse...

Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos! A alguns deles não procuro, basta saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida...mas é delicioso que eu saiba e sinta que eu os adoro, embora não declare e os procure sempre...

Vinicius de Moraes

Grande Vinicius. Estimo que continue "tão cheia de GRAÇA". Um grande ano para si, para a sua Pedra e para os seus maravilhosos rebentos...

Um grande abraço da margem do ovelha.

Petra Maré disse...

Obrigada Ana/ónima. Saudades imensas de conversas ímpares...
Abraço da margem do Tâmega

Germano Xavier disse...

Gostei de tua casa, Petra.